Não havia outra forma de te deixar a par dos últimos acontecimentos. Não sei teu número, tu não me ouves; tentei até pichar tua rua…

A gente não se comunica mais e eu cansei de parecer uma doida pra ti. Tu me conheces, mas às vezes parece que me esqueces, não sou mais nada pra ti? Sinto que não.

Enfim, ao me cansar de guardar lamentações, toda essa mágoa tem me sufocado. Não há mais espaço em mim para nada, mágoa em cada poro e célula. Cada palavra libera esses tais sentimentos, como se a pena roubasse a névoa que tenho carregado.

Talvez tu não me leias, talvez tu esqueças essa carta no meio das prestações do banco e do cartão de crédito. Eu não me importo. Não é mais necessário que me leias, muito menos que me entendas. Todo esse processo é muito mais um exorcismo pessoal.

Sei que pode parecer contraditório, disse anteriormente que queria tua atenção, mas tu me conheces, sabe da minha inconstância e das minhas confusões. Não é mais importante - ao menos nessa linha - que tu me ouças.

Quero que entendas que ainda há em mim sentimentos bons apesar de tudo e que eu ainda vejo graça naquele cheiro de café recém feito e ainda admiro a beleza das senhoras que não perderam a vaidade.

Na verdade pouco mudei nesse tempo que tu foste embora. Mudei menos do que eu gostaria: ainda tenho preguiça pela manhã (e o dia todo também), dou desculpas a mim mesma pelas coisas que não fiz… Não te amo mais, não perco mais meu tempo pensando em ti, penso em muitas outras pessoas. Não as amo, mas as sinto.

Há em mim um lugar especial apra cada pessoa que passou em minha vida, mas entenda, “especial” nem sempre é algo bom…

Não quero que isso soe como um epitáfio de um finado amor, isso é uma carta reclamação, é um protesto de quem guardou a indignação contra o tempo.

O tempo matou em mim o que havia em nós, esse tempo matou o que havia entre mim e as outras pessoas. Ele rouba as emoções e as deixa tão estimulantes quanto um sutiã bege.

A culpa pode ser minha, mas tu me conheces, gosto de culpar as coisas inanimadas pelas minhas falhas. Bem no fundo, penso que tu não me conheces de fato, só sabes do “eu” que te permitiu gostar de mim. Meu “eu” de fato é esse “eu” que vai embora antes do filme acabar. Mas lembre-se, eu te amei.”









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